Pensando como um empresário!

O investidor que aplica seu dinheiro em ações pensando no longo prazo (e não em especular com os preços) precisa acreditar em duas coisas:

  • Que a evolução e o desenvolvimento tecnológico farão a produção humana aumentar e melhorar, gerando mais ganhos.
  • Que, no longo prazo, a cotação das ações de empresas que conseguem ter bons resultados constatemente se valoriza mais do que qualquer outro investimento.

A primeira crença é mais subjetiva e basicamente significa acreditar no Capitalismo e na capacidade humana de produzir mais e melhor ao longo do tempo.

A segunda é fato comprovado. Existem diversos estudos no mercado de Ações dos EUA que analisam cotações desde dos anos 1800 e comprovam que, no longo prazo, ações de empresas que apresentam bons resultados valorizam mais do que qualquer outro tipo de investimento. Se você deseja saber mais sobre o assunto, recomendo a leitura do livro “Investindo em Ações no Longo Prazo” de Jeremy Siegel.

Mas será que no Brasil as coisas também sao assim?

O Brasil e a Bolsa de Valores brasileira apresentam diversas diferenças em relação aos EUA. Podemos citar algumas:

  • População com pouco ideal empreendedor e muito ligada ao Estado.
  • Políticas de Governo com viés socialista.
  • Economia instável, com inflação descontrolada.
  • Inúmeras mudanças na moeda corrente e intervenções estatais ao longo do tempo.
  • Instabilidade econômica e pesadas cargas tributárias que dificultam o surgimento e manutenção de empresas.
  • Bolsa de Valores com estória muito recente.
  • Poucas empresas com ações na Bolsa de Valores.
  • Pouco estímulo ao investimento e a poupança.

Olhando por cima , parece que o Brasil não é muito promissor para empresas crescerem e darem dinheiro aos seus acionistas. Será mesmo?

A BOLSA DE VALORES NO BRASIL

A Bolsa de Valores no Brasil começou realmente a partir dos anos 1960. É dessa época que podemos obter os dados mais antigos do IBOVESPA.

O IBOVESPA é um índice que simula o investimento em algumas ações da Bolsa. O critério para escolha das ações não leva em consideração se as empresas apresentam bons resultados, mas analisar o IBOVESPA fornece uma ideia geral do desempenho do mercado de ações brasileiro como um todo.

O gráfico abaixo mostra os valores anuais do IBOVESPA no término de cada ano desde 1968 (fonte: Bm&fBovespa). Nesse período, o Brasil teve sete moedas diferentes, por isso os valores são convertidos em dólares.

Ibovespa dolarizado de 1968 a 2015.

Olhando esse gráfico percebe-se uma tendência de crescimento ao longo do tempo (reflexo da premissa de crescimento do Capitalismo). Há diversos pontos de queda brusca, efeitos das crises como em 2008 com a crise do mercado imobiliário americano.

Observe também que, depois de um tempo, o índice se recupera e volta a subir , ultrapassando as quedas. Normalmente, as pessoas costumam vender suas ações em desespero nas crises, mas a história mostra que o invetidor que persiste e continua investindo costuma recuperar suas perdas e ainda ganhar um bom dinheiro depois.

Neste exato momento, o governo brasileiro está em uma crise fiscal que tem afetado o país como um todo e refletido no desempenho das ações desde 2010.

Alguns argumentam que demora muito tempo para se recuperar o valor perdido em uma crise. Por exemplo, quem comprou ações em 1971 só voltou a ter o mesmo valor em 1985. No entanto, a melhor estratégia para se investir em ações não é fazer investimentos pontuais, mas sim periódicos e frequentes. Quem comprou ações em 1971 e continuou comprando, foi conseguindo preços mais baixos até 1982. A partir daí, a maioria das suas ações começou a se valorizar. E o gráfico não leva em conta os dividendos ganhos pelos acionistas.

Outro dúvida comum é quanto anos representam “longo prazo”?

Em um cenário de crescimento , este prazo não existe. É melhor manter suas ações enquanto as empresas continuarem dando bons resultados. Existem outras formas de se ganhar dinheiro com ações além da valorização e venda e, de forma geral, dinheiro investido em ações deve ser tratado pelo investidor como dinheiro que não vai mais ser usado.

EMPRESAS BRASILEIRAS

A segunda premissa do investidor em ações é que empresas que constantemente têm bons resultados costumam ver o preço da suas ações valorizar no longo prazo, independente de crises.

Apesar das dificuldades, existem algumas empresas brasileiras com ações em negociação na Bolsa atualmente e que estão há muito tempo em operação. Petrobras e Banco do Brasil, por exemplo, estão em negociação desde os primórdios da Bolsa.

Como é difícil conseguir informações muito antigas das ações, vamos analisar duas empresas com longo tempo na Bolsa, de setores bem distintos e que tiveram desempenho diferente desde os anos 2000 até 2015: Petrobras e Ambev.

Nesses 15 anos, foram pelo menos três crises (Bolha da Nasdaq, Imobiliária dos EUA, e a fiscal ainda em curso), além de um longo período de bonança de 2002 até 2008.

Para esse estudo vamos simular um investidor que:

  • Faz compras mensais de R$1.000,00.
  • Compra sempre no dia 10 do mês (ou próximo dia útil) sem se preocupar com preço.
  • Compra ações Ordinárias.
  • Reinveste o valor recebido de dividendos, Juros sobre Capital e bonificações.

Não há rigor científico nessa análise, por isso os resultados serão aproximados, mas servirão para dar uma ideia do que o investimento em ações de empresas que têm bons resultados pode proporcionar ao investidor.

O que são bons resultados? Basicamente:

  • Lucro crescente ao longo dos anos
  • Dívida controlada
  • Boa geração de dinheiro (caixa)

O gráfico abaixo dá uma ideia da evolução patrimonial do investidor :

Por que investir em ações?

Para comparação, observe o resultado alcançado investindo-se os mesmos valores na Poupança ou em uma aplicação que rendeu 100% do CDI (sem descontar o Imposto de Renda):

Por que investir em ações?

A mesma estratégia, utilizada em uma Nota do Tesouro Série B – Principal com vencimento em 15/05/2015 resultaria em um valor próximo a R$606.317,57 sem considerar o Imposto de Renda.

O que podemos observar com estes resultados?

O investimento periódico em uma empresa que apresentou bons resultados durante todo o período analisado mostrou-se a modalidade que mais agregou valor ao patrimônio do investidor.

  • Não houve preocupação com preço de compra.
  • Não houve dedicação e acompanhamento excessivo, bastaria apenas analisar os resultados anuais da empresa para decidir se seguiria sócio.

O gráfico do investimento em Petrobras, cujos resultados começaram a piorar a partir de 2008, mostra bem por que deve-se vender suas ações e abandonar empresas que pararam de ter valor assim que os resultados começarem a piorar. Manter-se em empreas com resultados ruins pode destruir seu patrimônio.

CONCLUSÃO

Comprar ações de boas empresas é o investimento que mais agrega valor ao patrimônio do investidor no longo prazo, a despeito das crises, especulações e variações de curto prazo.

Não é preciso estratégia elaborada ou grandes quantidades de dinheiro para obter sucesso no investimento em ações. Investimentos periódicos e acompanhamento anual simples é mais do que suficiente para se conseguir bons resultados.

O investimento em ações também tem a vantagem de pagar muito pouco Imposto de Renda. Enquanto o investidor não vender suas ações, ou vender abaixo da quantidade isenta (atualmente R$20.000,00 por mês) ele não pagará um real de imposto. Já o investidor que aplicou no CDI ou no Tesouro Direto entregará pelo menos R$50.000,00 em impostos para o Governo.

Se você deseja aprender mais sobre o investimento em ações, acesse a área de Ações.

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