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Mercado Cambial

O que é o mercado cambial?

O mercado cambial é o ambiente abstrato onde se realizam trocas de moedas.

É o Banco Central quem autoriza e regula as instituições financeiras a realizarem operações de câmbios, sendo assim, um sistema centralizado pelo governo e alvo de interferências estatais.

Atualmente, a principal moeda utilizada para transações internacionais é o dólar americano, sendo os negócios com essa moeda a maior parte das transações do mercado cambial.

Por que o dólar?

Atualmente, o dólar americano é utilizado como uma espécie de "moeda mundial", sendo a moeda oficial de praticamente todas as negociações internacionais.

Essa situação não ocorreu por acaso.

Até a segunda guerra mundial, a grande maioria dos países utilizava um padrão monetário chamado de padrão ouro.

No padrão ouro, o papel moeda (as cédulas e moedas utilizadas pela população) tinha um valor determinado pelo qual poderia ser trocado por ouro. Assim, caso tivesse interesse, alguém que quisesse trocar todo o seu dinheiro por ouro poderia ir até as instituições bancárias e fazer essa troca.

Após a segunda guerra mundial, os EUA reuniram as principais potências da época e realizaram um acordo onde os países se comprometaram a deixar de utilizar o padrão ouro e passaram a utilizar a moeda americana como referência.

Os EUA por sua vez, comprometiam-se a trocar os dólares por ouro. Assim, o dólar passou a ser a única moeda lastreada em ouro.

Na prática, essa medida tornou a moeda um monopólio governamental, permitindo o intervencionismo governamental hoje em voga.

Por volta de 1970, quando alguma das políticas intervencionistas começaram a cobrar seu preço através de recessões e inflação, diversos países começaram a exigir trocar seus dólares por ouro.

Para não ficar sem reservas de ouro, os EUA quebraram a ligação entre a sua moeda e o metal. Na época, o dólar já atuava como moeda padrão para negócios internacionais, além de constituir o lastro das moedas de outros países, assim permanecendo mesmo com a extinção do padrão ouro para o dólar.

Como por trás do dólar está a maior economia do mundo, defende-se de que o dólar é a segunda coisa mais segura depois do ouro. Assim, ele ainda permanece como referência e lastro para a maioria das moedas mundiais.

Além desse fator, há um outro acordo político que ainda mantém a força do dólar: os petrodoláres.

Os EUA e as nações produtoras de petróleo da OPEC realizaram um acordo em que o preço do petróleo seria determinado apenas em dólares americanos, obrigando a quem desejar comprar petróleo que, primeiro, converta sua moeda para o dólar.

Como o petróleo é um recurso utilizado por todos os países do mundo em quantidades monumentais, isso tem ajudado a manter a supremacia do dólar em relação a outras moedas como base do sistema internacional.

Transações Internacionais

Basicamente, as transações internacionais funcionam da seguinte maneira:

  1. Um exportador brasileiro exporta para um importador americano e recebe em dólares;
  2. O exportador brasileiro não pode consumir os dólares na economia local e precisa trocá-los por reais;
  3. Para fazer a troca, ele precisa encontrar alguém que esteja precisando de dólares para fazer alguma coisa e esteja disposto a pagar reais em troca;
  4. O exportador vende seus dólares para um importador; e
  5. O importador utiliza os dólares para comprar produtos de produtores americanos.

Podemos dizer então, que as exportações financiam as importações e que, supondo um cenário de zero importações, os exportadores acumulariam dólares que não lhes serviriam para nada dentro do país.

Em outras palavras, sem importações, as exportações não teriam utilidade.

Influência das Taxas de Câmbio

Na realidade, podem existir outros interessados em comprar os dólares do exportador, especuladores por exemplo, gerando um mercado de troca de moedas, o mercado de câmbio, onde o preço de uma moeda em relação a outra é chamado de taxa de câmbio.

O exportador vai até o mercado de câmbio e trocas seus dólares por real. Quanto maior for o número de exportadores querendo trocar seus dólares por reais, maior será a demanda por reais e mais o real se valorizará em relação ao dólar.

Com um real valorizado, os importadores estrangeiros, aqueles que compram dos exportadores brasileiros, buscarão alternativas mais baratas, reduzindo as exportações brasileiras.

Novamente, considerando um cenário de zero importações, onde a procura da troca de dólares por reais for baixa, o resultado final será uma redução das exportações devido a valorização da moeda.

Influência do Governo

O Governo é quem detêm o monopólio sobre o câmbio.

Em última instância, toda transação de moeda poderá ter o Governo brasileiro como contrapartida, ainda que seja indiretamente, através das instituições intermediárias (bancos).

Novamente, vamos imaginar um cenário de zero importações.

Os exportadores brasileiros irão até o mercado de câmbio trocar seus dólares. O real se valorizará em relação ao dólar.

Para evitar que as exportações se reduzam, o Banco Central interfere no mercado de câmbio e começa a comprar dólares, equilibrando a oferta de dólares dos exportadores com uma demanda.

Essa interferência terá duas consequências:

  • O Banco Central ficará com reservas em dólar; e
  • O Banco Central precisará imprimir mais reais para poder comprar os dólares.

Segundo o próprio Banco Central, a função das reservas internacionais é permitir ao país fazer frente às suas obrigações internacionais (pagar suas dívidas) e financiar os importadores — além de servir como lastro para a emissão da moeda nacional.

Tendo de imprimir mais reais, a nova oferta monetária acabará trazendo efeitos indesejáveis, como a inflação, prejudicando a política monetária do governo.

Em outras palavras:

Sem exportações não há importações e sem importações não pode haver exportações.

Por que isso é relevante?

Protecionismo

Para alguns economistas, o importador, ao trocar seus reais por dólares e trocar os dólares por mercadorias compradas no mercado externo, está, na verdade, esvaziando as reservas de dólar do país e enviando riqueza para o exterior.

Atualmente, utiliza-se o Produto Interno Bruto (PIB) como uma maneira de se medir a riqueza gerada por um país. Na fórmula do PIB, importações são contabilizadas como valores negativos, o que reforça ainda mais a ideia de que ao importar, o país, na verdade, ficou mais pobre.

PIB=C+G+I+XMPIB = C + G + I + X - M

Fórmula 1 - Fórmula do cálculo do PIB, onde C=Consumo privado, G=Gasto do governo, I=Despesas privadas com investimento, X=exportações e M=importações.

Esse raciocínio dá origem a uma série de justificativas para que se busque ter uma balança comercial positiva (ou seja, mais exportações do que importações) através, se necessário, de interferências governamentais. Importações são vistas com maus olhos.

De onde vem a riqueza?

Não é de hoje que governos olham para importações como o inimigo número um da riqueza nacional.

Por volta do século XV, havia uma forte doutrina econômica, conhecida como mercantilismo, que pregava a intervenção estatal para evitar a fuga das reservas de ouro de um pais e proteger a indústria nacional.

Nesse raciocínio, o comércio internacional é um ambiente onde sempre haverá um ganhador e um perdedor e a política deve atuar de forma a proteger os interesses nacionais. Muitas guerras resultaram da aplicação dessa filosofia (e ainda hoje continuam, ainda que não seja pela força das armas, mas das tarifas).

Boa parte da teoria econômica atual teve origem em economistas como Adam Smith, cujas obras se concentravam em combater as ideias mercantilistas e denunciar o quão prejudicial elas poderiam ser para uma nação.

Centenas de anos depois, pouca coisa mudou.

O Brasil, por exemplo, é um dos países com a economia mais fechada do mundo. Tarifas elevadas sobre qualquer tipo de importação e a forte pressão de alguns grupos sobre o governo mantêm os políticos aprovando legislações protecionistas que fariam qualquer mercantilista abrir um vasto sorriso de satisfação.

Para entender por que o combate às importações pode ser prejudicial, é preciso entender que dinheiro (ou ouro, para os mercantilistas) não constitui riquezas.

A riqueza está em ter acesso a bens e serviços que tornem a vida humana mais fácil e prazerosa. O dinheiro é apenas um meio de obter estes bens e serviços.

Um mendigo que tem milhões na sua conta bancária e não faz nada com o dinheiro, continua sendo pobre.

Quando há uma demanda muito grande por importações, isso indica que a indústria do país não está conseguindo fornecer a oferta de produtos seja em quantidade, qualidade ou ao preço adequado.

Ao importar algum bem, a população do país passa a ter acesso a bens que podem ser melhores ou mais baratos (ou até mesmo inexistentes) do que os de versão nacional. Assim, conseguem melhorar sua qualidade de vida, pagando menos e tendo mais dinheiro de sobra. Em resumo, os cidadãos ficam mais ricos.

Ao beneficiar os produtores nacionais ou dificultar as importações, os governantes obrigam a sua população a pagar mais caros por produtos menos eficientes, tornando todos mais pobres. Os únicos beneficiários dessas manobras passam a ser os integrantes do grupo ou indústria protegida. Não é a toa que esses grupos se mobilizam de forma a pressionar os políticos a intervirem com medidas protecionistas que os beneficiam.

Controle Governamental

Uma das grandes justificativas para a centralização governamental e a pesada regulamentação sobre o mercado de câmbio é a de combate às fraudes, tráfico de drogas e lavagem de dinheiro.

O controle se justificaria porque é através do mercado de câmbio que essas atividades criminosas conseguem movimentar seus recursos.

Assim, todas as operações de câmbio feitas pelos meios oficiais são reportadas ao governo, não existindo qualquer tipo de confidencialidade. Enviar dinheiro para o exterior sem avisar o governo constitui crime, chamado de evasão de divisas.

Historicamente, controles estatais totalitários sobre qualquer tipo de atividade humana têm resultado, basicamente, na perda da liberdade dos cidadãos e suas consequências nefastas.

Ainda que o combate ao crime seja usado como justificativa, determinações como a de que qualquer operação realizada por um cidadão em determinada atividade tenha de ser reportada ao governo precisam ser avaliadas com cautela.

No fundo, isso representa apenas uma perda da liberdade pessoal e a possibilidade de que governantes exerçam o poder coercitivo do Estado para atender aos próprios interesses e controlar as pessoas.

A remessa de valores para o exterior sempre foi controlada de perto pelos governos, especialmente pelos governos totalitários, pois representa a possibilidade de que o cidadão, em última instância, envie seus recursos para outro país e "abandone o barco", protegendo sua liberdade.

Taxas de Câmbio

A taxa de câmbio é o preço de uma moeda estrangeira expresso em moeda nacional. Também é comumente chamada de cotação.

Assim, quando dizemos que a cotação ou taxa de câmbio do dólar é de R$4,17, estamos dizendo o mesmo que: para comprar um dólar é preciso pagar R$4,17.

  • Quando a taxa de câmbio sobe, isso quer dizer que é preciso mais moeda nacional para comprar a moeda estrangeira, ou seja, houve uma desvalorização cambial da moeda nacional; e
  • Quando a taxa de câmbio cai, isso quer dizer que é preciso menos moeda nacional para comprar a moeda estrangeira, ou seja, houve uma valorização cambial da moeda nacional.

Antigamente, no Brasil, existiam três taxas comuns de câmbio para o dólar:

  • Dolár Comercial: utilizado em transações financeiras;
  • Dólar Turismo: utilizado para transações afetas às pessoas físicas, como compra e venda de dólares, transações no cartão de crédito etc.; e
  • Dólar Paralelo: mercado ilegal que funciona sem estar subordinado às regulações governamentais.

A partir de 2005 os mercados foram unificados, passando a existir somente uma cotação.

Na prática, ainda há diferenças pois as instituições financeiras adicionam seus próprios spreads (sobretaxa) sobre a cotação oficial, gerando uma cotação menos vantajosa para as pessoas físicas que é popularmente chamada de dólar turismo.

Taxa de Compra e de Venda

Taxas de compra e de venda sempre se referirão a instituição financeira que negocia a moeda.

Assim, quando você vai comprar dólares do banco, terá de pagar a taxa de venda do banco. Da mesma forma, ao vender dólares para o banco, ele lhe pagará a taxa de compra.

Tipos de Taxa Câmbial

O mercado de câmbio funciona 24 horas por dia , 7 dias por semana.

No entanto, há diversas operações que precisam ter uma cotação padronizada como referência. Por exemplo:

  • Contratos cambiais;
  • Declarações de valores à Receita Federal; e
  • Cálculo da cota de Fundos de Investimento.

Assim, estabelecem-se padronizações de cálculo para se saber, por exemplo, qual era a cotação do dólar em determinada data.

Isso acaba gerando diversos tipos de cotação que são utilizadas para diversas finalidades:

  • Taxa Oficial;
  • Taxa de Repassse e Cobertura;
  • Taxa de Câmbio Interbancário (Dólar Pronto);
  • Taxa PTAX; e
  • Taxa de Câmbio de Mercado de Cabo (Dólar Cabo).

Taxa de Câmbio PTAX

Essa é a taxa oficial divulgada pelo Banco Central do Brasil.

É o resultado de um cálculo feito pelo BACEN com os diversos negócios realizados com a moeda pelos bancos.

A taxa PTAX é utilizada como referência para contratos e ativos financeiros onde se faz necessário utilizar uma cotação para a moeda estrangeira.

Assim, essa é a taxa utilizada para auferir rendimentos, celebrar contratos, averiguar valores etc.

Contratos de SWAP

Existem diversos tipos de ativos financeiros que envolvem o câmbio. De especial interesse para os investidores são os contratos de SWAP cambial.

Além de serem ferramenta da política cambial, os contratos de SWAP são muito utilizados por empresas brasileiras que queiram se proteger de variações na cotação do dólar que possam prejudicar seus resultados.

Por exemplo:

  • Empresas cuja matéria prima seja importada; e
  • Empresas com dívidas em moeda estrangeira.

O que são contratos de SWAP?

São ativos financeiros onde há uma troca de risco entre o comprador e o vendedor do contrato. Swap significa troca em português.

Costumam ser utilizados como ferramenta de proteção para evitar os efeitos negativos de, por exemplo, uma desvalorização cambial.

Como funciona o contrato de SWAP cambial?

Digamos que você esteja com medo de que o real irá se desvalorizar frente ao dólar americano.

Uma das alternativas a sua disposição é comprar a moeda estrangeira. Caso ocorra uma desvalorização, você não perderá dinheiro.

No entanto, digamos que eu queira apostar contra você que o real não irá desvalorizar o suficiente para compensar o investimento direto em moeda estrangeira, que, por exemplo, se você aplicasse seus reais rendendo o mesmo que a taxa SELIC, você terminaria com um valor maior do que se tivesse comprado os dólares.

Como podemos concretizar essa aposta?

Fazemos um contrato, onde, após um período, você se compromete a me pagar a variação da taxa SELIC, e eu me comprometo a pagar-lhe a variação do dólar frente ao real.

Estabelecemos um preço para esse contrato, por exemplo, R$1.000,00.

A partir disso, poderemos ter dois cenários:

CENÁRIO 1 - Taxa SELIC maior que variação cambial

Suponha que a variação da taxa SELIC no período foi de 10% enquanto a variação do dólar foi de 5%.

Nesse caso, eu lhe pagaria 5% sobre o valor do contrato, ou seja, R$50,00 e você me pagaria 10% sobre o valor do contrato, ou seja, R$100,00. Ao final, eu teria embolsado R$50,00, ou 5%, que foi a diferença entre as duas taxas.

CENÁRIO 2 - Taxa SELIC menor que variação cambial

Suponha que a variação da taxa SELIC no período foi de 5% enquanto a variação do dólar foi de 10%.

Nesse caso, eu lhe pagaria 10% sobre o valor do contrato, ou seja, R$100,00 e você me pagaria 5% sobre o valor do contrato, ou seja, R$50,00. Ao final, você teria embolsado R$50,00, ou 5%, que foi a diferença entre as duas taxas.

No nosso exemplo, podemos dizer que eu lhe vendi um contrato de swap e você comprou um contrato de swap.

Na prática, o nosso contrato de swap ofereceu-lhe uma proteção para o caso de valorização do dólar, sem que você tivesse de comprar a moeda estrangeira.

Como comprando esse nosso contrato de swap você ganha com a valorização do dólar, diz-se que você assume posição comprada em dólar — ou seja, você está em uma posição semelhante a alguém que tenha comprado dólar diretamente e que ganha na valorização da moeda estrangeira e perde na desvalorização dela.

Eu, por outro lado, estou em uma posição vendida em dólar — ou seja, estou em uma posição semelhante a alguém que tenha vendido a moeda estrangeira e tenha de recomprá-la posteriormente. Se o preço do dólar subir, recomprará mais caro e perderá dinheiro, se o preço cair, recomprará mais barato e ganhará a diferença do preço de venda para o de compra.

Referências:

FORTUNA, Eduardo. Mercado Financeiro: produtos e serviço. 18 ed. Rio de Janeiro. Qualitymark, 2010.

Última atualização: 2020-03-23