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Política Cambial

O que é a política cambial?

A política cambial visa, basicamente: controlar a taxa de câmbio da moeda nacional em relação a outras moedas; e controlar as operações cambiais, isto é, a troca de moeda nacional por outras moedas.

Tipos de câmbio

O câmbio pode ser:

  • Fixo: a taxa de câmbio é fixa em um determinado valor;
  • Banda Cambial: também chamado de "fixo deslizante", onde a taxa de câmbio varia dentro de um limite máximo e mínimo; e
  • Flutuante: a taxa de câmbio varia livremente de acordo com a oferta e demanda por moeda.

Atualmente, a política de câmbio utilizada é uma política de câmbio flutuante.

Isso significa que a taxa de câmbio é determinada pelos agentes que negociam a moeda, através das leis básicas da oferta e da demanda.

No entanto, o Banco Central (BACEN) costuma inteferir no mercado de câmbio quando a taxa apresenta variações indesejadas para as políticas governamentais. Diz-se, então, que o câmbio é flutuante sujo.

A intervenção do governo do câmbio se da através da regulamentação do fluxo cambial no sistema financeiro, limitando o fluxo de moeda pelos bancos e através de algumas operações como:

  • Compra ou venda direta;
  • Operações de Swap;
  • Leilões; e
  • Emissão de títulos de dívida em moeda estrangeira.

Por que o governo interfere no câmbio?

Com o padrão de câmbio flutuante, a interferência governamental na taxa de câmbio tende a ser reduzida.

Normalmente, o Banco Central atua no mercado de câmbio para:

  • Evitar excesso de volatilidade (variação de preço);
  • Corrigir liquidez; ou
  • Quando deseja comprar moeda para aumentar suas reservas.

Como a taxa de câmbio pode interferir nas outras políticas econômicas governamentais (veja abaixo), o Banco Central tenta evitar que ocorram variações excessivas no câmbio, prejudiciais as suas políticas econômicas.

Assim, quando movimentos excessivos de preço (volatilidade) ou um excesso de compradores/vendedores (falta/excesso de liquidez) acontece, o Banco Central lança mão de operações no mercado de câmbio para tentar manter certo equilíbrio.

Como a taxa de câmbio interfere na política econômica?

Variações na taxa de câmbio podem trazer consequências a fatores como a inflação, prejudicando os objetivos governamentais para a economia.

Depreciação Cambial

Uma depreciação ocorre quando a moeda nacional perde valor em relação a uma moeda estrangeira. Necessita-se, então, de mais moeda nacional para se comprar a mesma quantiade de moeda estrangeira.

Pode-se dizer também que a taxa de câmbio aumentou.

Inflação

Com a depreciação do câmbio, produtos importados e produtos cujo preço é baseado em moedas estrangeiras, como o petróleo, ficam mais caros para os consumidores, gerando aumento de custos e preços nos produtos e serviços onde esses bens são utilizados.

Esse aumento de preços pode acabar gerando uma inflação acima das metas estabelecidas pelo governo.

Quantidade de Dinheiro

Com uma taxa de câmbio alta, produtos brasileiros ficam atraentes no mercado externo devido ao seu baixo preço em comparação a produtores de outros países. Isso faz com que as exportações aumentem.

Os exportadores, então, se verão cheios de moeda estrangeira em mãos. Como no Brasil só se pode utilizar a moeda nacional, os exportadores serão obrigados a trocar essa moeda extrangeira pela moeda local, o que aumenta a quantidade de moeda local em circulação.

Mais dinheiro em circulação pode prejudicar a política monetária.

Apreciação Cambial

Uma apreciação ocorre quando a moeda nacional ganha valor em relação a uma moeda estrangeira. Necessita-se, então, de menos moeda nacional para se comprar a mesma quantiade de moeda estrangeira.

Pode-se dizer também que a taxa de câmbio caiu.

Importações

Com a taxa de câmbio baixa, a importação de produtos é facilitada e costuma aumentar.

Empresas brasileiras podem ver seus produtos se tornarem menos atrativos em relação à produtos estrangeiros, ocasionando uma redução nas suas atividades.

Tendência de Equilíbrio

Em um mercado de câmbio totalmente livre de interferências e movimentos especulativos, haverá uma tendência de equilíbrio na taxa de câmbio, que tende a corrigir os efeitos que as apreciações e depreciações do câmbio trazem à economia.

Imagine um cenário de depreciação cambial:

  • Os produtores brasileiros começam a exportar mais;
  • Exportando mais, os produtores adquirem grande quantidade de moeda estrangeira;
  • Para poderem consumir esses ganhos internamente, os exportadores entram no mercado de câmbio para trocarem suas moedas estrangeiras por moeda nacional;
  • Essa força compradora aumenta a demanda por moeda nacional, o que faz a taxa de câmbio reduzir, tornando a moeda nacional mais cara em relação à outras moedas;
  • Com a moeda nacional mais cara, os produtos brasileiros perdem atratividade e as exportações diminuem; e
  • Atinge-se, então, uma taxa de câmbio que equilibra a oferta e demanda por moeda.

Raciocínio semelhante se aplica para um cenário de apreciação cambial.

Como o governo interfere na taxa de câmbio?

As principais operações utilziadas pelo Banco Central para interferir no câmbio são:

  • Compra ou venda direta;
  • Leilões; e
  • Operações de SWAP.

Compra ou Venda Direta

Nestas operações, o Banco Central atua no mercado de câmbio à vista (também chamado de mercado spot) comprando ou vendendo moeda estrangeira (normalmente dólares).

Para conseguir fazer esse tipo de operação, o Banco Central mantém uma reserva de moeda estrangeira, cujo valor pode ser visto no site do BACEN.

Leilões

Nesta operação, chamada de leilão de linha, o Banco Central leiloa parte das suas reservas em moeda estrangeira para algumas instituições financeiras previamente selecionadas (chamadas de dealers).

Essa venda de moeda estrangeira aumenta a liquidez e combate a desvalorização da moeda nacional.

Normalmente, esses leilões prevêm a recompra/revenda da moeda em data futura pelo Banco Central, evitando que as reservas de moeda do BACEN fiquem demasiadamente reduzidas.

Swap

Swap é uma palavra inglesa que significa "troca".

Um contrato de swap é um contrato de troca de alguma coisas. No caso de mercado de câmbio, o contrato troca taxas de câmbio por taxas de juros.

Swap Cambial

Digamos que você esteja com medo de que o real irá se desvalorizar frente ao dólar americano.

Uma das alternativas a sua disposição é comprar a moeda estrangeira. Caso ocorra uma desvalorização, você não perderá dinheiro.

No entanto, digamos que eu queira apostar contra você que o real não irá desvalorizar o suficiente para compensar o investimento direto em moeda estrangeira, que, por exemplo, se você aplicasse seus reais rendendo o mesmo que a taxa SELIC, você terminaria com um valor maior do que se tivesse comprado os dólares.

Como podemos concretizar essa aposta?

Fazemos um contrato, onde, após um período, você se compromete a me pagar a variação da taxa SELIC, e eu me comprometo a pagar-lhe a variação do dólar frente ao real.

Estabelecemos um preço para esse contrato, por exemplo, R$1.000,00.

A partir disso, poderemos ter dois cenários:

CENÁRIO 1 - Taxa SELIC maior que variação cambial

Suponha que a variação da taxa SELIC no período foi de 10% enquanto a variação do dólar foi de 5%.

Nesse caso, eu lhe pagaria 5% sobre o valor do contrato, ou seja, R50,00evoce^mepagaria1050,00 e você me pagaria 10% sobre o valor do contrato, ou seja, R100,00. Ao final, eu teria embolsado R$50,00, ou 5%, que foi a diferença entre as duas taxas.

CENÁRIO 2 - Taxa SELIC menor que variação cambial

Suponha que a variação da taxa SELIC no período foi de 5% enquanto a variação do dólar foi de 10%.

Nesse caso, eu lhe pagaria 10% sobre o valor do contrato, ou seja, R100,00evoce^mepagaria5100,00 e você me pagaria 5% sobre o valor do contrato, ou seja, R50,00. Ao final, você teria embolsado R$50,00, ou 5%, que foi a diferença entre as duas taxas.

No nosso exemplo, podemos dizer que eu lhe vendi um contrato de swap e você comprou um contrato de swap.

Na prática, o nosso contrato de swap ofereceu-lhe uma proteção para o caso de valorização do dólar, sem que você tivesse de comprar a moeda estrangeira.

Como comprando esse nosso contrato de swap você ganha com a valorização do dólar, diz-se que você assume posição comprada em dólar - ou seja, você está em uma posição semelhante a alguém que tenha comprado dólar diretamente e que ganha na valorização da moeda estrangeira e perda na desvalorização dela.

Eu, por outro lado, estou em uma posição vendida em dólar - ou seja, estou em uma posição semelhante a alguém que tenha vendido a moeda estrangeira e tenha de recomprá-la posteriormente. Se o preço do dólar subir, recomprará mais caro e perderá dinheiro, se o preço cair, recomprará mais barato e ganhará a diferença do preço de venda para o de compra.

No contrato de swap oferecido pelo BACEN, o banco se compromete a pagar variações da taxa de câmbio entre o real e o dólar, e o comprador do contrato se compromete a pagar variaçãoes da taxa SELIC em um determinado período.

Ao vender contratos de swap cambial, o Banco Central evita que as pessoas comprem a moeda estrangeira diretamente, diminuindo a demanda e evitando um aumento da taxa de câmbio.

Swap Cambial Reverso

O swap cambial reverso difere-se do swap tradicional pelo fato de que o BACEN compromete-se a pagar a taxa de juros e o comprador do contrato se compromete a pagar a taxa de variação da moeda estrangeira.

A venda desses contratos evita que as pessoas tenham de vender moeda estrangeira diretamente, diminuindo a oferta e combatendo uma queda na taxa de câmbio.

Referências:

FORTUNA, Eduardo. Mercado Financeiro: produtos e serviço. 18 ed. Rio de Janeiro. Qualitymark, 2010.

Última atualização: 2019-08-21