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Riscos do Tesouro Direto

Os títulos de dívida do governo federal são considerados os ativos financeiros mais seguros que existem.

Na prática, comprar um título do Tesouro Direto é o mesmo que emprestar dinheiro para o governo federal.

Quem financia o governo federal são os impostos pagos pelos cidadãos do país, os quais ganham seu dinheiro através da produção e geração de riqueza que conseguem em suas atividades.

Dessa forma, quem garante a dívida do governo é a produção de riqueza do país.

É por isso que títulos de dívida de governos de países mais ricos, onde a população é capaz de gerar mais riqueza, são considerados mais seguros do que títulos de países pobres.

Sistema Financeiro

Por serem considerados como os títulos mais seguros, os títulos de dívida do governo federal são utilizados como garantias em diversas operações no mercado financeiro, como, por exemplo, quando bancos emprestam dinheiro uns aos outros e utilizam os títulos do governo federal como garantia do empréstimo.

Dessa forma, há uma espécie de "pirâmide" financeira sobre os títulos da dívida do governo federal.

É importante ter isso em mente para avaliar quais seriam as consequências de um calote, onde o governo federal deixasse de pagar suas dívidas.

Política Monetária

Os títulos públicos também exercem papel importante na política monetária, sendo utilizados como lastro para a criação de moeda fiduciária (dinheiro de papel).

Em outras palavras, os títulos de dívida do governo federal são parte da garantia por trás do papel colorido e dos números eletrônicos que você conhece como dinheiro.

Riscos

Calotes

Apesar de o governo ter toda a riqueza do país a sua disposição, é comum que políticas desastrosas e populistas:

  • Façam os gastos do governo se tornarem insustentáveis;
  • Façam a economia se degradar;
  • Inviabilizem que o governo aumente suas receitas através do aumento dos impostos;
  • Inviabilizem a obtenção de empréstimos, seja através de investidores ou de instituições internacionais como o Fundo Monetário Internacional (FMI).

Quando esses fatores ocorrem, não resta outra alternativa ao governo além de dar o "calote" na sua dívida, isto é, deixar de pagar o que deve ou renegociar os valores devidos.

Como vimos, devido a posição basilar que os títulos públicos ocupam na economia, atitudes como essas são catastróficas e geram perdas consideráveis em todo o mercado financeiro.

Nossos vizinhos, os argentinos, são especialistas nesse tipo de coisa e podem nos ensinar grandes lições.

Desvalorização e Inflação

Mesmo em situações catastróficas, o governo sempre terá uma última carta na manga que permitirá empurrar os problemas para as próximas gerações: imprimir dinheiro.

No nosso atual sistema financeiro, toda moeda é emitada pelo governo. O que impede que o governo saia imprimindo dinheiro ao seu bel prazer são algumas poucas leis de controle monetário e de endividamento.

No entanto, quando a situação sai de controle, leis e amarras são rapidamentes derrubadas e o governo começa a imprimir dinheiro de forma irresponsável.

Dinheiro segue as leis da oferta e da demanda como qualquer outro bem, ou seja, quanto mais dinheiro for impresso, menos valor ele terá, gerando uma hiperinflação, onde o dinheiro passa a não valer mais nada e o preço das coisas se torna elevado.

Como os credores do governo são os primeiros a receber o dinheiro, é possível ao governo sustentar o pagamento de suas dívidas durante algum tempo emitindo moeda e pagando aos credores. Os credores receberão o dinheiro antes que ele tenha se desvalorizado e não se sentirão lesados.

À medida que o novo dinheiro vai sendo introduzido na economia e a inflação foge de controle, as coisas começam a piorar e nem mesmo a tática de imprimir dinheiro salvará o governo, que acabará tendo de renegociar a sua dívida.

Liquidez

Como vimos no artigo sobre a liquidez do Tesouro Direto, a liquidação dos títulos varia entre 1 a 2 dias úteis.

Para investidores que precisem de dinheiro de maneira emergencial, esse prazo pode ser inadequado.

Além disso, é comum que o Tesouro cancele as negociações em momentos de variações anormais ou em casos de divulgação de informações importantes para a formação do preço dos títulos.

Inflação

Para os investidores que compram títulos prefixados ou não indexados a algum índice infllacionário, o aumento da inflação pode acabar gerando um rendimento real negativo.

Em outras palavras, se a inflação for muito elevada o investidor desses títulos pode perder dinheiro.

Marcação a Mercado

Como discutido no artigo sobre o preço dos títulos de renda fixa, variações nas taxas de juros podem influenciar no preço dos títulos:

  • Quando a taxa aumenta, o preço do título diminui; e
  • Quando a taxa diminui, o preço do título aumenta.

Um investidor que precise vender seus títulos antecipadamente (antes do vencimento) em um cenário de aumento na taxa de juros, pode se ver em uma situação onde recebará menos do que pagou pelos seus títulos, tendo um rendimento negativo.

Última atualização: 2019-10-31