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Aprenda a investir de forma simples e rápida!

Como Investir em ações de empresas dos EUA?

Há inúmeras vantagens em investir diretamente no mercado financeiro americano. Podemos citar:

  • Acesso à empresas conhecidas do grande público com abrangência global;
  • Diversidade de opções de empresas;
  • Mercado desenvolvido e com grande volume; e
  • Investimentos em moeda forte (dólar americano).

Comprar sua primeira ação de uma empresa americana é mais fácil do que parece. O processo consiste, basicamente, em:

  • Abrir conta em uma corretora americana;
  • Enviar o dinheiro;
  • Entender as particularidades do mercado acionário americano;
  • Selecionar empresas; e
  • Compreender a tributação e a forma de declarar na sua DIRPF.

Abrindo Conta em uma Corretora Americana

Inicialmente, é preciso encontrar uma corretora que aceite pessoas não-residentes (que não moram nos EUA).

Entre as corretoras mais populares entre os pequenos investidores brasileiros estão:

O diferencial entre elas estará em pontos como:

  • Facilidade de cadastro: corretoras como a Interactive Brokers, DriveWealth e Avenue permitem o cadastro totalmente online. Já a TDAmeritrade costuma solicitar o envio de documentos por fax;
  • Taxas: as taxas (costs em inglês) podem ser verificadas nos sites das corretoras. Assim como no Brasil, podem existir taxas de: corretagem; manutenção da conta; depósito e retirada de valores; e outras taxas específicas.
  • Atendimento: algumas corretoras, como a Avenue, possuem atendimento em português; e
  • Serviços oferecidos: algumas corretoras oferecem acesso apenas ao mercado acionário americano e não permitem operar ações de empresas de pequeno porte. Já a Interactive Brokers, por exemplo, dá acesso a Bolsa de Valores de diversos países além dos EUA.

FINRA e SPIC

Diferente do que ocorre no Brasil, o mercado de capitais americano é descentralizado. Assim, o investidor pode ficar exposto a riscos inerentes às instituições financeiras que utiliza, tal como a falência da mesma.

Buscando minimizar esse risco, existem nos EUA duas entidades que devem ser conhecidas pelo investidor:

  • FInancial Industry Regulatory Aythority (FINRA): é um órgão autorregulador (semelhante à ANBIMA no Brasil) que supervisiona o trabalho das corretoras e outras instituições financeiras; e
  • Securities investor Protection Corporation (SIPC): é um fundo (semelhante ao FGC no Brasil) que visa proteger os clientes das corretoras no caso de problemas com a mesma. O SIPC oferece garantias de até 500 mil dólares para cobrir a perda de ativos, sendo até U$250 mil para valores em dinheiro;

Cadastro

O processo de cadastro é bem intuitivo, bastando preencher os formulários e, quando necessário, fazer o upload dos documentos solicitados.

Um dos procedimentos que causa mais dúvida é o preenchimento do formulário W-8BEN solicitado pela Receita Federal Americana (o Internal Revenue Service - IRS).

O preenchimento desse formulário é bem simples, bastando aos cidadãos brasileiros que residem no Brasil preencherem os campos:

  • 1: nome completo;
  • 2: país (Brazil);
  • 3: preeencher o endereço;
  • 6: preencher com o CPF;
  • 8: preencher com a data de nascimento ( atenção para o formato MM/DD/AAAA); e
  • Assinatura e Data: basta assinar e datar (atenção para o formato MM/DD/AAAA) no local especificado. No preenchimento online, a assinatura consiste em escrever seu nome completo no campo da assinatura;

Formulário W-8BEN individual

Figura 1 - Exemplo de preenchimento do formulário W-8BEN.

Enviando Valores para o Exterior

Antigamente, este era o processo mais complicado para o pequeno investidor.

Devido às elevadas taxas cobradas pelos bancos e o relativo desconhecimento da operação por parte dos funcionários das agências de varejo, era necessário ter uma grande quantidade de recursos e uma boa dose de paciência para conseguir fazer uma operação de câmbio.

Hoje, com ferramentas como o Remessa Online, o processo ficou mais fácil e barato.

Os métodos de envio de dinheiro ao exterior mais comuns são:

  • Transferência Bancária Internacional (SWIFT): realizada pelos bancos e serviços como o Remessa Online;
  • Conta no Exterior: alguns bancos brasileiros têm acordos com bancos nos EUA que permitem ao seus clientes brasileiros abrirem contas no exterior. A transação de valores entre o banco brasileiro e seu parceiro americano fica facilitada e muitas vezes pode ser feita a custos reduzidos. Após aberta a conta e feito o envio do dinheiro para o exterior, basta realizar uma transferência local entre o banco e a corretora. São exemplos desse caso o BB Americas e o Banco do Brasil, Banco C6 e Banco BS2;
  • Paypal: aceito por algumas corretoras; e
  • Cartão de Crédito ou Boleto: também aceito por algumas corretoras.

Entre as taxas cobradas estão:

  • Taxa da operação: taxa fixa ou percentual cobrada pela instituição financeira para envio do valor;
  • Spread: diferença na cotação do dólar comercial e do dólar cobrado pela instituição financeira que realiza a operação; e
  • IOF: imposto sobre operações financeiras.

O ideal é realizar trasferências de valores acima de U$500,00 para reduzir os impactos dos custos sobre o valor enviado. No entanto, isso dependerá de suas necessidades.

Caso você não tenha a menor ideia de como proceder para enviar o dinheiro, a sugestão do autor do Blog é utilizar o serviço da Remessa Online, pois essa empresa fornece em seu site um sistema muito simples para o envio de dinheiro, com informações bem detalhadas, além de possuir custos baixos.

Mercado Acionário Americano

O mercado acionário americano apresenta algumas particularidades que, à primeira vista, podem impressionar o pequeno investidor.

  • Várias Bolsas: nos EUA, há diversas Bolsas de Valores, tais como a NYSE ou a NASDAQ. Será preciso conferir em qual Bolsa a ação é negociada para ter certeza de estar comprando a empresa certa;
  • Códigos: diferentemente do Brasil, os códigos das ações nos EUA seguem regras diversas e não são padronizados. Assim, há empresas cujo código de negociação é de apenas um dígito, enquanto outras possuem vários dígitos.
  • Classes de Ações: várias empresas famosas entre os investidores possuem mais de uma classe de ação. As diferentes classes dão diferentes direitos ao seu possuidor. Dessa forma, é interessante checar qual a classe de ação correta deve ser comprada.
  • Frações de Ações: é comum nos EUA encontrar ações cuja unidade custa milhares de dólares. É possível aos investidores que querem investir nessa ações comprar frações da ação, pagando uma fração do preço.
  • Mercado Grande: o mercado financeiro dos EUA corresponde a mais da metade do volume mundial. Assim, há milhares de empresas sendo negociadas nas Bolsas americanas, além de diversos produtos financeiros, tais como os ETF. Essa diversidade pode ser meio intimidadora para os iniciantes.

Caso você já tenha experiência no mercado acionário brasileiro, verá que somos, basicamente, uma cópia reduzida do mercado americano. Você se acostumará rapidamente com as diferenças.

Caso você não tenha muita experiência com o mercado acionário, é interessante aprender sobre o funcionamento do mesmo no Brasil para, então, poder compreender as particularidades do mercado americano.

Seleção de empresas

A análise de empresas nos EUA não têm diferenças para a análise de empresas no Brasil.

Demonstrações financeiras e outras documentações seguem padrões internacionais e sua divulgação ocorre de forma muito semelhante ao que ocorre no Brasil.

Há uma grande quantidade de sites onde é possível encontrar as informações consolidadas das empresas.

Podemos citar:

Imposto de Renda

ATENÇÃO

As informações aqui mostradas podem conter erros ou estarem desatualizadas. Antes de fazer a sua apuração e declaração de imposto de renda, consulte a legislação em vigor ou algum profissional de sua confiança.

Este site e seu proprietário não se responsabilizam por eventuais prejuízos ou problemas fiscais que o investidor possa ter ao utilizar as informações aqui mostradas.

Utilize este guia por sua conta e risco.

Brasil e EUA têm acordos de tributação que facilitam a vida do pequeno investidor.

Ainda assim, ao investir no exterior, o investidor precisa manter um controle apurado:

  • Dos valores que recebeu; e
  • Da origem dos recursos utilizados (auferidos em reais ou em dólares).

Conforme explicado mais a frente, o cálculo do ganho de capital na venda de ações nos EUA leva em consideração a origem do dinheiro utilizado para adquirir as ações.

Uma dica para facilitar no caso de venda de ações é não utilizar dinheiro enviado do Brasil e dinheiro obtido através de rendimentos em dólares para comprar o mesmo ativo.

Tributação nos EUA

Nos EUA, dividendos e rendimentos são tributados a uma alíquota de 30% na fonte. Assim, você verá nos extratos (statements ou reports) da sua corretora americana que os valores de imposto foram descontados dos valores recebidos como dividendos.

Tributação no Brasil

Rendimentos

Valores pagos como imposto no recebimento de rendimento nos EUA podem ser descontados de valores a pagar no Brasil.

Investidores que auferem renda no exterior (como é o caso dos investidores que possuem ações e recebem dividendos) devem fazer apuração mensal pelo Carnê Leão.

Basta preencher o campo "Rendimentos Carnê-Leão - Exterior" com o valor recebido convertido pela cotação de compra do último dia útil da primeira quinzena do mês anterior.

Em seguida, faça o mesmo processo de conversão para os valores pagos como imposto e preencha o campo "Imposto Pago no Exterior a Compensar".

Conversão

À primeira vista, o processo de conversão pode parecer confuso, mas é bastante simples.

Suponha que você esteja fazendo a apuração mensal dos dividendos recebidos nos EUA no mês de novembro de 2019.

Você verifica, então, que recebeu US$10,00 em rendimentos e pagou US$3,00 em imposto.

  • O mês anterior ao mês de novembro/2019 é o mês de outubro/2019;
  • O último dia útil da primeira quinzena é o último dia útil do intervalo de dias compreendido entre 01/10/2019 e 15/10/2019.

Para encontrar a cotação, acessamos o site do Banco Central do Brasil na página de cotações e preenchemos os campos:

  • Data Inicial: 01/10/2019;
  • Data Final: 15/10/2019; e
  • Moeda: DOLAR DOS EUA

O sistema irá mostrar uma tabela com duas colunas de cotação: COMPRA e VENDA.

Cotações do Dólar Americano

Figura 2 - Cotações do dólar dos EUA conforme Banco Central.

Estamos interessados na cotação de COMPRA.

Como há cotações para o dia 15/10, esse dia foi dia útil (sendo, portanto, o último dia útil da primeira quinzena). Utilizaremos, então, a cotação de compra do dia 15/10 (R$4,1482)

Logo:

Recebidonoexterior=US$10×4,1482=R$41,48Recebido\,no\,exterior = US\$10 \times 4,1482 = R\$41,48 Impostopagoexterior=US$3×4,1482=R$12,44Imposto\,pago\,exterior = US\$3 \times 4,1482 = R\$12,44

Ganhos de Capital

O ganho de capital na venda de ações no exterior é isento até R$35.000,00 por mês.

A partir daí, é cobrado uma alíquota de 15% para valores de até R$5 milhões. Acima desse valor, a cobrança segue uma tabela progressiva.

O cálculo do ganho de capital tem de ser feito levando-se em conta a origem do dinheiro:

  1. Origem dos recursos foram reais convertidos em dólares: é o caso, por exemplo, se você enviou dinheiro do Brasil para o exterior e usou esses valores para comprar a ação;
  2. Origem dos recursos foram dólares recebidos no exterior: é o caso, por exemplo, do dinheiro que você recebeu como dividendos diretamente nos EUA; e
  3. Origem mista: mistura os itens 1 e 2.

1 - Origem dos recursos foram reais convertidos em dólares

  • Valor de compra das ações: valor em dólares da compra convertido para reais com a cotação de VENDA do dia da compra;
  • Valor da venda das ações: valor em dólares da venda convertido para reais com a cotação de COMPRA do dia do recebimento dos valores;
  • Lucro: valor de venda menos o valor de compra em reais; e
  • Imposto a pagar: 15% sobre o lucro caso o mesmo ultrapasse R$35.000,00.

2 - Origem dos recursos foram dólares recebidos no exterior

  • Lucro: calculado pelo valor da venda das ações menos o valor da compra em dólares. Em seguida, converte-se o resultado pela cotação de COMPRA do dia em que recebeu o valor; e
  • Imposto a pagar: 15% sobre o lucro caso o mesmo ultrapasse R$35.000,00.

3 - Origem mista

Nesse caso, é preciso realizar o cálculo de 1 para o montante com origem em reais e o cálculo de 2 para o montante com origem em dólares.

Ou seja, o investidor precisrá ter o controle da origem dos valores investidos e calcular de forma proporcional.

Por isso, uma dica para facilitar no caso de venda de ações nos EUA é não utilizar dinheiro enviado do Brasil e dinheiro obtido através de rendimentos em dólares para comprar o mesmo ativo.

Apuração

A apuração dos ganhos de capital deve ser mensal.

Pagamento

Caso haja imposto a pagar, o mesmo deve ser apurado através do programa GCAP da Receita Federal.

DIRPF

Rendimentos e Dividendos

Os valores declarados no Carnê Leão podem ser importados para a DIRPF na seção "Rendimentos Tributáveis de Pessoa Física/Exterior", aba "Outras Informações".

Será preciso preencher o valor total do imposto pago no exterior na seção "Imposto Pago/Retido", campo "02. Imposto pago no exterior pelo titular e pelos dependentes", pois esse valor não é importado do Carnê Leão.

Bens e Direitos

As ações americanas devem ser declaradas na seção "Bens e Direitos" com o código 31, de maneira semelhante às ações no Brasil.

No campo "Localização", utiliza-se o código 249 para Estados Unidos.

O valor a ser preenchido é o valor em dólares convertido pela cotação de VENDA do dólar para o dia em que você comprou a ação.

Declaração de Bens e Direitos

Figura 3 - Exemplo de preenchimento da seção Bens e Direitos da DIRPF para ações nos EUA.

Ganhos de Capital

Caso abaixo de R$35.000,00, são declarados na seção "Rendimentos Isentos e Não Tributáveis" com o tipo "05 - Ganhos de capital...".

Caso acima dos limites de isenção, são declarados na seção "Rendimentos Sujeitos à Tributação Exclusiva/Definitiva" com item "12 - Outros".

Referências:

HUOYA, Nelson. O Investidor Global. 2017. Disponível em Amazon.

RECEITA FEDERAL. Perguntão 2019. 2019. Disponível em receita.economia.gov.br/interface/cidadao/irpf/2019/perguntao

Última atualização: 2020-01-17